Uma do Buk
Essa é uma das noites em que não há nada. Imagine se fosse sempre assim. Vazio. Apático. Sem luz. Sem dança. Nem mesmo insatisfação.
Assim, não se tem o bom senso de se cometer suicídio. A idéia simplesmente não ocorre.
Levantar. Coçar-se. Beber um pouco d'àgua.
Me sinto como um cachorro vira lata em Julho, só que é Setembro.
Charles Bukowski

Escrito por fernandobluesborghi às 17h54
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Safado e Indispensável
Pedolatria, cunilíngua, bondage, fellatio, spanking e até sexo (!) aparecem nas páginas de "Giovanna Casotto" (86 páginas, R$ 45,00), quarto livro da série Eros, da Conrad Editora, que já publicou na mesma coleção os obrigatórios "Garotas de Tóquio", de Frédéric Boilet; "Clic 1", de Milo Manara; e o razoável "Omaha, a stripper", de Reed Waller e Kate Worleer.
Casada e mãe de dois filhos, Giovanna Casotto é considerada a Cicciolina dos quadrinhos italianos, tamanha sua volúpia artística. Neste livro, cujo título pega emprestado o nome da autora, temos dez histórias curtinhas (que pena) em que não existem fantasias impossíveis de ser concretizadas. São enfermeiras, empregadas, modelos, esposas, psicanalistas, assaltantes, todas insaciáveis e lindamente ilustradas por Casotto, que costuma tirar fotos de si mesma nas mais variadas posições para depois utilizá-las como referência para seus quadrinhos: "Minhas histórias têm inspiração em meus sonhos, no que gostaria de experimentar e no que já experimentei...", diz ela na contra-capa do livro. Safado e indispensável.

Escrito por fernandobluesborghi às 12h03
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Hey Batman !
Tem certas imagens que não saem da memória
principalmente se elas possuirem o poder de fazer com que o tempo
(esse ceifador disfarçado de calendário), pare de girar
e em fração de segundos resuma toda sua vida
em um punhado de fotos já em avançada
fase de decomposição

Escrito por fernandobluesborghi às 19h35
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Uma do Tom Waits
Acho que ando ouvindo muito Tom Waits ultimamente....
Bem, estamos na 9th e Hennepin E todos os donuts têm nomes que soam como prostitutas E os dentes da lua fazem marcas e estão no céu como uma panela jogada sobre tudo isso E os guarda-chuvas quebrados como pássaros mortos e o vapor sai da frigideira como se toda a maldita cidade estivesse pronta para explodir. E os tijolos estão repletos de tatuagens de cadeia E todos se comportam como cachorros. E os cavalos descem a Rua do Violino E o Holandês está morto de cansaço E os quartos cheiram a oléo diesel E você pega os sonhos de cada um que dormiram aqui. E estou perdido na janela Escondo-me na escada Penduro-me na cortina Durmo dentro do seu chapéu E ninguém traz algo pequeno em um bar aqui perto Eles começaram todos com más intenções E as garotas atrás dos balcões têm lágrimas tatuadas Cada uma para cada ano que ele está fora, ela diz, Que beleza degradante, mas não há Nada que nenhuma nota de cem dólares não possa resolver, ela tem aquela tristeza afiada Que só piora com o barulho e o trovão do Oceano Pacífico enquanto o relógio pinga como uma torneira Até você estiver cheio de água suja e amargura e tristeza E você cuspir ao lado de alguém que lhe escute E eu vi de tudo Eu vi de tudo atrás das janelas amarelas Do trem noturno
(Tom Waits)

Escrito por fernandobluesborghi às 19h20
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Maringá - 30 de Junho de 1995
O grande André Christovam completa 49 anos hoje. Um dos meus bluesmans preferidos sem sombra de dúvuda.
Me sinto um privilegiado por tê-lo assistido ao vivo. Um gigante do blues nacional que muito humildemente trocou uma longa conversa com três manguaçados fãs no camarim do Teatro Dona Guilhermina ( Maringá - Pr ), há exatos 11 nos atrás. Lembro-me desse show quase que por completo, apesar de estar com altas doses de conhaque circulando em minhas veias naquela fria noite de inverno.
Longa vida a André e muitos blues para nós!!!!

Escrito por fernandobluesborghi às 10h37
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Uma do Lielson
Uma garganta cortazariana
Ele sempre teve problemas com sua garganta. Mas isso não o impedia de cantar. Inflamava constantemente, acordava no meio da madrugada por afogamentos, cuspia várias vezes ao dia pequenas bolas amareladas e com pêlos.
Pêlos pequenos. Acostumado, não dava muita importância. A moléstia lhe era amiga sazonal, cheia de indas e vidas. Mas posso perder minha cinta, minha mãe e minha garganta, desde que tenha o rock'n 'roll, dizia.
Em alguns anos, as coisas se complicaram: por mais que as dores e inflamações tornassem em intervalos cada vez maiores, se iam rápida e vorazmente, levando consigo, uma parte dele: sua voz.
Ele foi enrouquecendo. Só podia cantar Ira!, Bob Dylan e músicas infantis em que existia uma voz de pato. Simples assim, de pouco em rouco, mudou-se em um mudo completo. Conseguia falar uma frase curta, mas sua garganta precisaria em repouso por mais algumas horas antes da próxima sentença.
Após as palavras, a doença começou a levar embora os espaços da garganta, mas continuava a deixar pêlos. E o que lhe deprimia era não poder mais cantar.
Quando foi ao médico e ensaiou um raio-x gargântico, reconheceram lá dentro um cisto entalando na guela, em forma de coelho selvagem. O médico disse que em caso de andorinhas africanas é possível intervenção, mas os coelhos escavam as carnes a cada sílaba.
Deu-lhe 2 meses de vida, desde que não falasse mais.
No dia de sua morte, cercavam sua cama amigos, uma ex, a mulher, uma amiga que preferia ser uma ex que ser uma amiga, o pai, a irmã.
Ele escrevera uma nota dizendo que diria a coisa mais importante de sua vida.
O pai pensou que ele agradeceria a grana da faculdade, a mulher os filhos que não tiveram e que não estavam orfãos, a ex a louca paixão, os amigos a amizade imedida, a irmã lembranças da infância com ela. A amiga que queria ser ex esperava uma linha de arrependimento pelo não-tudo.
Mas ele, simplesmente, cantou. Morreu no meio da palavra 'scratch', atrapalhando o compasso.
http://lugarcerto.blogspot.com/

Escrito por fernandobluesborghi às 10h40
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Blues Completos
Se você estiver afim de baixar uma pancada de álbuns bluseiros da melhor qualidade, não perca tempo e click no link abaixo:
http://360grauss.blogspot.com/
Uma variedade incrível de álbuns e artistas da mais fina estirpe do bom e velho blues. E o melhor de tudo. Na faixa.
Não perca tempo. . . .

Escrito por fernandobluesborghi às 10h31
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Uma do Maick
Serviço de quarto (Autor: MaicknucleaR)
Em algumas noites: o chão não está mais lá! E sob o manto escuro, salpicado com lindas luzes azuis, distorcidas e mortas, há uma maré de aromas arábicos e voluptuosos, que são lançados no mar do clima (no) ambiente, como cardumes de feromôneos notífloros, revoltos e flutuantes...
...Renda-se aos desejos mais extremos, quando as flores tornarem-se borboletas entrevadas e os olhos vermelhos dos muros de áurea roxa, presenciarem histórias que jamais poderão contar...
[Quando olhares transmutam-se em espelhos no teto — ou em toalhas em saquinhos lacrados, ou em sabonetes inodoros de 5 g — e taças viram uma cascata de suor alcóolico que deságua sobre um corpo quente, macio e qualquer: Diga que tudo foi apenas uma fraqueza momentânea]
Em noites mornas, de ventos frios, da pele gelada e alma em brasa: tudo na paisagem é turvo, pois o mundo fugiu, levando nossa dignidade, embaixo do braço. Às vezes, nos enroscamos no asfalto. Tropeçamos em formigas. Vomitamos porra na boca da castidade que andava de salto e minissaia, pelo sereno de uma vida nada fácil... ...é, e mesmo chafurdando a pica num fast-food que escreve o número errado do telefone, num guardanapo de padaria que logo mais virará uma fraldinha de fumaça, mesmo assim: nem tudo é acessível como lojas de conveniência e mercados 24 hs.
[Quando não se tem Deus em notas de cinqüenta dentro da carteira, nesta cidade – agora puta – que mistura Oscar Freire e Crackolandia, Daslu e Daspu(ta), Dolce & Gabana + “doce e bagana”: você não é nada]
Putas e divas caminham nesta atmosfera de postes com luzes aquosas e placas verdes que não levam à nada. E muitas vezes, um volante, te leva à uma trilha de úteros infeccionados e longas retas cheias de merda de pombo e bustos infláveis em praças da perdição oral.
...a noite é o clichê da minha vida, pois nem todos os Maick’s são nucleares...
Hoje as damas da noite foram presas por porte ilegal de arma enquanto exalavam um acre odor de smirnoff ice, maconha e líquidos amarelos e ácidos que correram de suas bucetas beiçudas e ganharam o mundo. E no banheiro da justiça, o cinco contra um é o entrevêro da frustração carnal.
Dos porta-malas aos buffets sem graça: escrever em cadernetas fru-frus, sobre escadas de emergências de prédios desconhecidos, não é privilégio ou regalia!
[Hey, tem uma cidade dilatando-se sob as luzes do terceiro olho de um helicóptero, ao longe, na paisagem cinza (às vezes, verde) e mofada]
As paredes?! Ah! as paredes. Elas continuam indo e vindo... As legendas amarelas-tremulas, parecem estar em russo... Meu saco está suado...
—Merda! Não tem toalha nesta joça!!
www.opastrame.falai.net

Escrito por fernandobluesborghi às 13h14
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