Nunca Subestmei Meu Talento Para o Fracasso

Escrito por fernandobluesborghi às 14h51
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Truman Capote em quadrinhos
A editora Devir lançará em março no Brasil o álbum "Capote no Kansas", com roteiro de Ande Parks e arte de Chris Samnee. Assim como no filme "Capote", em que Philip Seymour Hoffman interpreta e incorpora o escritor, a HQ também retrata o período em que Capote apurava e escrevia o romance "A sangue frio", livro-reportagem sobre o múltiplo homicídio de uma famíla no Kansas cometido por dois ladrões: Richard Hickock e Perry Smith. Publicado nos EUA pela Oni Press no ano passado, o livro vai um pouco mais longe do que o filme na relação de Capote com Smith, ousando mostraraté um beijo que teria ocorrido entre os dois na cela do assassino enquanto ele aguardava sua execução.

Escrito por fernandobluesborghi às 09h56
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Assisti LA DOLCE ViTA do Fellini dias atrás e cheguei a conclusão de que não tem ninguém que filme mulheres na noite tão perfeitamente como ele.

É incrivel como as mulheres do velho Fellini vislumbram, tanto na fotografia como na interpretação. E não vou ficar aqui citando o nome das atrizes, porque todas as grandes atrizes que ele filmou tem um destaque, um brilho, uma interpretação muito pessoal.

Escrito por fernandobluesborghi às 09h57
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Down On The Street in Copacabana
Eram exatas 18:00 horas daquela fatídica Sexta-feira de carnaval, quando o motor da minha velha motocicleta (que há algum tempo não andava muito católico), resolveu morrer de vez e me deixar na mão. Em outras oportunidades talvez eu a espancasse, roga-se mil pragas e ou tomasse alguma atitude troglodita. Afinal em mais de dez anos de convivência, ela já dormiu em lugares incríveis, ou porque eu a deixei, ou porque ela me deixou na mão. Mas naquele dia não. Eu calmamente estacionei meu pequeno trambolho de estimação no inicio da Nossa Senhora de Copacabana e resolvi procurar um boteco para tomar uma cerveja e relaxar. Muito dessa calma se devia única e exclusivamente ao carnaval. Pois eu só retornaria aquela maldita repartição pública dali a cinco dias. Como nunca fui fã dessa porra toda. Iria me isolar de tudo e de todos em meu minúsculo apartamento, devidamente munido com minha infindável coleção de Dvds do Hitchcock, aliada a uma frota interminável de cervejas estupidamente geladas e batata. Muita batata-frita. Havia decidido que durante os próximos dias onde quase todo o Rio de Janeiro iria cair na Folia de Momo, eu simplesmente me resumiria a um monte de quinquilharia amontoada no sofá, talvez até sem tomar banho, fazer a barba ou até mesmo em raras ocasiões levantar minha velha bunda da poltrona. Já que minha geladeira e televisão ficam estrategicamente instaladas ao lado do sofá. Após estacionar a moto fui até um de meus botecos preferidos o “Malagueta, Perus e Bacanaço”. Ao entrar no velho botecão não pude deixar de notar um silêncio sepulcral gigantesco que tomava conta do ambiente, e olha que todas as suas vinte e poucas mesas estavam ocupadas, e jogando baixo havia pelo menos uns cinqüenta marmanjos no lugar. Mas todos pareciam estar abduzidos, em transe devidamente sentados a observar o teto do Malagueta. João Antônio, o proprietário percebeu que eu desconfiava de alguma coisa e não perdeu tempo. -Eles tomaram um Down On The Street! Lançamento do verão. Loucura Total! -Mas que tipo de cachaça é essa João? -Uma bebida que te eleva às alturas, literalmente! -Parece que está todo mundo curtido! -Com apenas uma dose, você acredita? -Vê uma dessas pra mim! João Antônio colocou o precioso líquido num copo pequeno de cachaça e sua coloração amarelada me lembrou na hora das eternas canas mineiras. Virei a dose numa talagada só e não pude deixar de notar o sabor meio exótico da bebida. Eu que na vida só não havia bebido estanho derretido tentava de todas as formas decifrar seu sabor, mas desisti quando tão logo me virei pra rua e sai à porta do velho Malagueta pra acompanhar os passos de uma morena gigantesca cor de jambo devidamente instalada num micro-mini-shorts verde limão atolado em suas entranhas. Conforme eu fixava os olhos naquelas lindas nádegas morenas separadas por apenas e tão somente um retalho de tecido de gosto duvidoso, notei a presença de uma enorme colombina sorridente refletida na nádega esquerda da morena escultural. A colombina não só sorria como acenava com uma das mãos para mim. Instintivamente resolvi piscar os olhos mais de uma vez para ver o que estava acontecendo e na terceira piscada Copacabana escureceu e do céu avermelhado enormes grãos de feijão caíram em formato de espadas, homens de gravata, mulheres de saia, buzinas, ar com precipitação, um enorme negão cara de cachorro possuído por gigantescos dentes de ouro sorria e iluminava toda a orla, os bondes rangiam nos trilhos, profusão de barulhos, confusão, gente,muita gente empurrada e empurrando a tudo e a todos direto a boca do inferno em meio a maré alta um bloco de carnaval de máscaras de Veneza desembarcava na calçada feito os aliados na Normandia um enorme Teatro de Revista com vedetes de tom amesquinhado rugiam lama com bafo de alho batendo de frente a calotas de automóveis de chocolate derretido exalando odor de fossa sabor menta misturados a charutos de três metros e meio de altura o Cristo Redentor desceu e esmagou toda uma tropa de lesmas fardadas que apontavam suas armas de plástico a formigas com binóculos ruble focados a uma imensa clareira de nuvens carregadas de sacolas plásticas cheirando a morangos mofados muito acima das centenas de prédios que um a um se encostavam feito dominós num balé aleatório junto a roleta russa de um japonês sem olhos que vagava etéreo em cima de um elefante de patas decepadas urrando de dor ao tocar as cercas elétricas do s ambódromo que a muito havia se transformado numa piscina olímpica cheia de sangue de virgens soviéticas que atendendo a um pedido especial da governadora com cara de taturana que aos berros no noticiário vinte e quatro horas refletido nos outdoors da Tijuca ordenou que todos os absorventes íntimos fossem jogados na lagoa Rodrigo de Freitas para comemorar uma nova era de aquário que surgiria da próstata podre de um anão de jardim de Alá que sem um único dente na boca sorria descompassado ao acompanhar o samba enredo da Caprichosos de Pilares que exaltava o poder transcendental da misantropia aborígine dos elevados de larva homogênea da Central do Brasil de Walter Salles que jazia morto sem as palmas da mão esquerda em pleno calçadão de Ipanema fedendo a urina de cavalos brancos pintados por uma centena de incansáveis artistas plásticos manipulados por controle remoto de um jatinho atolado nas dunas de areias sem fim do Jóckey Clube onde uma enorme colombina sorridente refletida na nádega esquerda da morena escultural devidamente embalada num micro-mini-shorts verde limão que desfilava defronte ao boteco do João Antônio que do balcão gritava pra mim. -E ai que achou do material garoto? -Vê um litro desse troço que eu vou levar pra casa! -Certeza? -É bom demais! -Eu não te falei garoto! -Como é mesmo o nome dessa bebida João? -Down On The Street! Quando João terminou de mencionar o nome da bebida, todos dentro do boteco aos berros clamavam mais uma dose daquela maravilha. Nunca tive um carnaval tão perfeito quanto aquele.

Escrito por fernandobluesborghi às 21h06
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Hard Time Killing Floor
Não me canso de ouvir Blues Singer, petardo mais que perfeito do Mestre Buddy Guy. Muito bom, bom demais. É impossivel definir a sonoridade do poderoso blues que ele evoca e além de fazer um bem danado para quem ouve de certa forma embriaga até os ouvidos dos mais desatentos. Eis um dos discos que não podem faltar pra quando eu decidir me isolar na mais deserta das ilhas.

Escrito por fernandobluesborghi às 17h47
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