Café Van Gogh ( 60 )
A noite finalmente havia chegado, e com ela a calmaria. A correria e o desespero que tomaram conta de quase todo o dia agora davam lugar a uma tranqüilidade parcial. O céu estrelado servia de cobertor para uma quantidade enorme de camas de campanha que tomavam conta da praça principal.E eu bem no meio delas. Apesar de algumas conversas dispersas aqui e acolá, a maioria daquelas pobres almas encaravam os céus com que dizendo :-“E de agora em diante, o que será de nossas vidas!” Eu ( pelo menos em meu pensamento), talvez seria um dos poucos a destoarem do coro dos descontentes. Afinal, estava tão ou mais ferrado que aquelas pobres almas, há muito tempo. Não tinha mais nada a perder, estava carregando um fardo tão ou mais pesado que minhas costas. Sei que o que vinha a minha cabeça nada mais era que sinônimo de um neura desgovernada e juvenil, mas estava começando a me sentir responsável de certa forma, por tudo o que acontecia ao meu redor. Talvez se eu não tivesse adormecido naquele maldito banco do zoológico e seguido aquele mendigo, talvez aquela pobre coitada não amanhecesse morta ao meu lado naquele beco. Se não tivesse aceitado aquela carona no vale do Paraíba, aquele caminhoneiro não tivesse armado aquela presepada todo no Restaurante, e por conseqüência não teria conhecido Lena, sua irmã e seu comércio ilegal de venda de Dvd’s que a essa altura do campeonato já não existe mais, pelo menos eu acho. Mas essa tormenta toda que bem provavelmente tenha acarretado a morte do garçom que só quis me ajudar, não posso de forma nenhuma me sentir responsável. Sei que é muita pretensão minha pensar desse jeito, ficar me remoendo e sentindo responsável por um bando de desajustado que como eu são apenas cobaias nesse mundo doido e inconseqüente. Levantei-me, e depois de alguns passos senti a brisa da noite bater de frente a meu rosto. Tenho certeza que se tivesse um espelho naquele exato momento para me encarar de frente , o que eu encontraria nele refletido seria a imagem de um homem amargurado e completamente perdido com traços ora elegantes que agora contrastam com cicatrizes àcidas de quem sofreu por contra própria e se entregou obsessivamente por uma mulher que a princípio me tirou do eixo, de um eixo que nunca existiu. Vergonha! Não tem quem me tira da cabeça que esse é o sentimento mais nobre e original que qualquer ser humano pode ter. E cada dia que se passa menos vergonha na cara eu tenho.Não conseguia mais voltar atrás e dormir. Estava me sentindo estranho, tinha que caminha um pouco, mesmo só vendo destroços e lama por todos os lados, eu tinha que caminhar um pouco, baixar minha adrenalina e espantar meus demônios pessoais. E por falar em demônios, lembrei de Lena. O que teria acontecido a ela? Como eu fui egoísta, passei o dia inteiro pensando em nada, e não me lembrei de quem mais tinha me ajudado até então. Resolvi seguir em direção ao lugar onde a tinha deixado na noite anterior.
continua...

Escrito por fernandobluesborghi às 20h47
[]
[envie esta mensagem]

Café Van Gogh ( 59 )
Com muito custo e depois de longas horas de caminhada por entre destroços e mais destroços de uma cidade completamente arrasada e destruída, consegui chegar ao centro da pequena Paraty. Nem a igreja havia sido poupada, seu sino secular e magistral, jazia enterrado em meio à lama e areia que tomava conta da pequena praça central, que aquela altura do campeonato servia de hospital a céu aberto pela cruz vermelha, muitas pessoas eram atendidas em meio a um sobe e desce sem fim de helicópteros se aproximando muito de um cenário de guerra. Resolvi me aproveitar daquela situação e pedi ajuda a uma enfermeira, que cuidadosamente refez meu curativo na coxa, e me forneceu uma bela e recheada marmita que me serviu de almoço. Já se passavam das seis e meia da tarde quando consegui almoçar e sentei a beira de um meio fio para apreciar as águas calmas e tranqüilas que banhavam a cidade. Perdi-me olhando o horizonte e só sai daquele transe quando um dos enfermeiros sentou-se ao meu lado puxou conversa comigo. -Que merda, não agüento mais! Sabe o que é estar exausto, Estou costurando gente desde as nove horas da manhã e não para de chegar neguinho todo arrebentado. -Parece que a coisa está feia mesmo! -Tem um cigarro pra me arrumar? -Não tenho, vou ficar te devendo essa! O cara começou a chorar do meu lado. -Sabe o que é ver uma criança de menos de dois anos morrer bem na sua frente? Fiquei calado. -Estou falando com você! Tá me ouvindo? O enfermeiro estava desesperado, seu choro era de lamento, dor de impotência. -Não é fácil, sua profissão é complicada, eu te entendo! -Que profissão cara, que profissão! Fiquei meio ressabiado, ele mudou de atitude muito rapidamente, sua dor e impotência se transformaram em raiva e ódio rapidamente. -A sua profissão, a de enfermeiro. Eu sei que é muita responsabilidade. Você lida com vidas, não é mole. Admiro-te, pode ter certeza! Ele começou a rir na minha cara. -E quem te disse que eu sou enfermeiro, cara! Parei a conversa de maneira repentina, e comecei a encará-lo de baixo pra cima, e ele ria. Mas seu riso não era de alegria, relaxamento de alívio. Seu riso era de horror, era o fiel retrato de um homem confuso. -Você não é enfermeiro então? -Sou mecânico, olha minhas mãos! Calos e mais calos tomavam conta de mãos enormes. Manchas de graxa dividiam a mesma palma com sangue e gazes. -Mas você está vestido de branco, trabalhando junto aos médicos, ajudando a salvar milhares de vidas. -Falta de opção. Ninguém ali é médico, ninguém ali é enfermeiro. Aquela guria fez teu curativo, é merendeira numa Escola Municipal. Não sabia o que dizer, o que pensar e nem como agir. Estava completamente chocado com a confissão daquele pobre diabo. Que me cutucou e tirou do transe. -Tem cigarro? -Não, não fumo!
continua...

Escrito por fernandobluesborghi às 12h51
[]
[envie esta mensagem]

café Van Gogh ( 58 )
Ouve um momento de silêncio total. Todo mundo parou suas atividades para me encarar. Me senti um completo alienígena no meio daquela gente toda a me observar. Por mais que quisesse me livrar daquele mundaréu de curiosos, de todos tamanhos e faixas etárias, era impossível. Aquela altura me locomover, era complicado. Estava cercado por uma quantidade enorme de curiosos que mais pareciam sanguessugas em busca de sangue. Havia até alguns irresponsáveis que de caneta em punho tinha a capacidade de pedir autógrafo, como se aquele simples ato de ter sobrevivido aquele pesadelo, fosse algo digno de glória, a ponto de me tornar o que eu mais detesto. Ser alvo de atenção. -Como você conseguir sobreviver? -Você rezou para algum santo específico? -Você está mancando por que? -Tens namorada? Era muita hipocrisia, não dava para suportar. -Você conhecer o proprietário do iate? O ser humano é o mais mesquinho e irracional dos seres que habitam a terra, tenho certeza absoluta disso. -Você escreve também? -Sabia que nossa cidade vai aparecer no Jornal Nacional hoje? Fui tentando me desvencilhar daquele povo todo e aos poucos sai da marinha e tentei o impossível, que seria voltar ao centro da cidade. Digo impossível porque tudo estava destruído, as ruas estavam sendo desbloqueadas a base de tratores. Informaram-me que as estradas estavam intransitáveis, muitas árvores haviam caído, e juntamente com enormes quedas de barreiras haviam deixado (pelo menos por algumas horas), a pequena Paraty numa ilha completamente destruída e isolada da civilização. Há poucas horas atrás o Prefeito havia decretado estado de emergência. A defesa civil e a marinha estavam tentando de todas as maneiras possíveis dar fim àquela verdadeira calamidade pública. E para coroar com chave de ouro aquele caos imenso, a embarcação que Miguel e o bando de escritores haviam utilizado para ir até a tão falada ilha, estava entre as inúmeras que pertenciam a uma numerosa lista de barcos que haviam sumido. Havia três possibilidades, para aquele sumiço. Ou eles haviam chegado até terra firme, ou o forte vento havia deslocado o barco para a bacia de Angra dos Reis ou Mar aberto, ou então aquela que era considerada a explicação mais plausível para o sumiço do pobre Miguel e os escritores. Eles muito provavelmente teriam afundado em meio à turbulência.
continua...

Escrito por fernandobluesborghi às 20h58
[]
[envie esta mensagem]

Café Van Gogh ( 57 )
O cenário era aterrador, digno de pena e dó. Era cruel demais o que se via. Por todos os lados só havia destruição. Barcos completamente destruídos, um amontoado de veleiros em estado deplorável arrastados por terra firme, uma enorme quantidade de iates virados de cabeça para baixo, troncos seculares de árvores de tamanhos descomunais a deriva quase que por toda a margem, pintavam com cores negras o fiel retrato do tamanho do estrago deixado pela tempestade que havia desabado sobre Paraty na noite passada. Como que por milagre, o pequeno Iate onde eu havia me refugiado e mais uns dois ou três, eram os únicos sobreviventes daquela tormenta. Um cheiro forte de fumaça tomava conta de boa parte da orla, focos de incêndio estavam espalhados por todos os lados. O corpo de bombeiros e alguns policias da defesa civil corriam de um lado a outro desesperados, em meio a corpos mutilados. Populares choravam desesperados diante das perdas causadas pelo tempo. O rosto das pessoas era a da mais completa desolação. Mesmo com todo aquele caos espalhado por todos os lados, ainda era possível avistar crianças brincando com o que havia restado dos barcos. Ao descer do iate com um pouco de dificuldade e pisar em terra firme, dei de cara com um senhor de cabelos brancos, coluna arcada e com um estiloso cachimbo prata em uma das mãos. Ele com todo seu charme pessoal de marinheiro das antigas aparentava ter uns setenta anos mais ou menos. Ao me ver descer do iate, veio em minha direção, puxando conversa. Sua voz baixa e rouca era quase que imperceptível, tive que me concentrar para ouvir o que ele falava. -Você estava dentro daquele iate, filho? -Estava! Seus olhos estalaram, olhou ao seu redor, como que não acreditando que no que ouvia. -O que você estava fazendo lá dentro? Mesmo duvidando até onde aquela conversa poderia me levar, resolvi alimentar ainda mais o interesse do velho marinheiro. -Como assim, não entendi a pergunta? -Não tem vergonha na cara, não! A cidade está completamente destruída e ainda assim você tem a cara de pau de sair por ai assaltando o pouco que sobrou da propriedade dos outros. -Acho que o senhor está cometendo um engano! -Engano não senhor. Sinto o cheiro de um ladrão a quilômetros de distância! -Não estava assaltando nada meu senhor! Ele queria acreditar no que eu dizia, mas não dava o braço a torcer. Seu semblante era da mais pura incredulidade existente no ser humano. -Se você não estava assaltando aquele iate, o que estava fazendo lá dentro. Por que dono dele eu sei que você não é? Conheço não é de hoje o dono desse iate, é meu amigo de longa data! Sabia que não precisava ficar dando explicação para aquele pobre coitado, mas também não me furtei de dar um pouco mais de atenção a ele. Já que era exatamente isso que ele estava necessitando naquele momento. -Eu dormi dentro dele. Ontem à noite o clima estava horrível, não tinha para onde ir, e acabei adormecendo dentro dele, apenas isso. De maneira lenta e calculada, ele fez questão de chegar bem próximo de mim e sussurrar ainda mais baixo ao pé do meu ouvido. -Você está querendo me dizer, que sobreviveu à tempestade de ontem à noite sozinho nesse pequeno barco! -Sim senhor! -Com ninguém mais. Apenas você? -Acompanhei um grupo de amigos até uma embarcação que estava ancorada ao lado e fiquei com um pouco de receio de encarar a fúria do tempo, e seguir com eles em auto mar. Como não era possível enxergar um palmo à frente para voltar à cidade, tomei a iniciativa de arrombar a porta desse pequeno iate que acabou me servindo de abrigo, nada além disso, posso te garantir? O pequeno homem foi tomado por uma súbita dose de adrenalina e começou a gritar a plenos pulmões, para todo mundo ouvir. -Milagre! Milagre! Temos um sobrevivente aqui! Milagre! Milagre! Esse homem encarou a tempestade e venceu! Milagre! Milagre!
continua...

Escrito por fernandobluesborghi às 11h56
[]
[envie esta mensagem]

Café Van Gogh ( 56 )
A tormenta havia diminuído consideravelmente e aos poucos a normalidade parecia tomar conta do ambiente. No lugar daquele vento aterrador apenas uma chuva fina fazia questão de acompanhar o que havia restado daquela madrugada e início de manhã. Lembro que a última coisa que fiz antes de apagar de vez, foi de olhar o horário no relógio da parede. Faltavam cinco minutos para as oito horas da manhã quando aquele temporal havia finalmente ido embora. Tive sonhos dos mais estranhos possíveis, desde uma visão amarelada de minha perna sendo amputada por cinco cirurgiões anões do norte da Ásia até a o mais louco e desvairado pesadelo de ao cair dentro do mar ser salvo por ninguém menos do que Namor, o príncipe dos sete mares dos quadrinhos americanos. Namor era uma espécie de escravo. Salvou-me de um afogamento certeiro e acabou me levando até uma cidade aquática dominada por mulheres que escravizavam homens sem dó nem piedade. Fui parar numa casa das máquinas, onde mais de mil homens ficavam enclausurados num covil, remando incessantemente a fim de manter a energia da cúpula protetora da cidade sub aquática em alerta. Remei durante três dias e três noites sem parar um minuto sequer, até que meus músculos estouraram em carne viva e fui rejeitado como sub-resto animal, sendo que meu corpo foi servido aos tubarões que faziam parte do comando aquático que servia de guarda a sua senhora a Rainha Aquática.Uma mistura improvável de Beth Carvalho com Orca Assasina. A sensação que tive ao abrir os olhos era que tinha levado uma surra. Senti meu corpo arder em febre. Estava completamente moído, parecia que tinha carregado toneladas e mais toneladas de peso durante a noite. Durante o sono o corpo havia secado parte da roupa, mas mesmo assim, estava bem molhado, o que fez com que eu primeiramente procurasse algo mais confortável para vestir em meio ao caos que havia se transformado aquele iate. Comecei a fuçar no que havia restado de alguns armários até achar uma calça verde oliva que me caiu feito luva, uma camiseta branca estampada com a cara do Tom Jobim e um boné vermelho que fizeram eu me sentir um pouco mais confortável. O relógio da parede marcava 14:00 em ponto, e só então, com um pouco mais de calma e tranqüilidade é que pude notar que parte da decoração das paredes do barco haviam se espalhado por todo o piso, um enorme porta retrato de uma sorridente família unida (pai, mãe e duas crianças, na faixa dos nove, dez anos), que com certeza eram proprietárias da embarcação jazia destroçado ao meu lado, junto a mais de uma centena de fotos de uma série de pessoas (do círculo de amizades, bem provável), ao lado de personalidades das mais dispares possíveis feito Vanderléa, Chacrinha, Cartola, Sérgio Buarque de Hollanda Rivelino, Décio de Almeida Prado e é claro do velho e Tom Jobim que de agora em diante eu estamparia no peito. Fui em direção à porta e um sol fantástico veio me recepcionar, um lindo céu azul, onde sequer uma nuvem pairava no horizonte, me deslumbrou e fez com que eu respirasse um pouco mais tranqüilo. Enfim, eu achava que a normalidade havia voltado. Mas olhar ao redor da embarcação o que vi foi algo aterrador, parecia que o planeta havia sido chacoalhado. O caos imperava, por todos os lados, onde quer que minha vista tivesse alcance o que se via era só destruição e ruína.
continua...

Escrito por fernandobluesborghi às 10h10
[]
[envie esta mensagem]

Café Van Gogh ( 55 )
A imagem de terror que aquela tempestade provocava era cada vez maior e mais densa. Não havia meios de se locomover frente aquela massa avassaladora de água, ventos e relâmpagos. A Baia de Paraty havia se transformado em cenário de filme de horror. A revolta das águas, e o vento que cada vez mais fazia estragos por todos os lados fez com que eu pensasse melhor no que faria dali por diante. Seria impossível chegar até a cidade, não conseguia enxergar sequer um palmo diante do meu nariz. Não tinha muitas escolhas. Ou invadia uma daquelas embarcações que estavam atracadas a minha frente, ou tentava a sorte me arriscando no meio daquele tempo maluco. Mesmo tendo consciência que aquela não seria a saída mais viável, resolvi arrombar um pequeno iate que estava atracado adiante. Primeiro tentei arrombar a porta que dava acesso a parte interior com a perna que não estava baleada, mas sentindo que seria impossível vencer aquela porta feita de resina sintética, peguei um pequeno pedaço de barra de ferro que me serviu como uma espécie de pé de cabra, e depois de algumas tentativas consegui com que a porta abrisse. Era incrível como um pequeno iate feito aquele, pudesse ser tão confortável e luxuoso em seu interior. Um conforto digno de uma mansão, com todo luxo e sofisticação que se tem direito. Mesmo estando um breu imenso, dei muita sorte, pois os relâmpagos do temporal clarearam o suficiente para eu encontrar a chave mestra que ligava toda a energia do barco, e que para meu espanto geral era bem maior ainda do que eu poderia crer. Seus aposentos divididos em cozinha e sanitário eram realmente inacreditáveis. Sentei-me num sofá, e vomitei. A embarcação também sentia o poder do vento e ora pendia para um lado, ora para o outro, era impossível se equilibrar com tamanha força da natureza. O forte zumbido do vento mais parecia um longo gemido de terror e cólera. O que se ouvia eram enorme estouros, estampidos graves e agudos que eram seguidos de pancadas secas e violentas feito uma camada forte e consistente de algo que mais parecia um esvoaçar de metais escoando-se por frestas. Vomitei novamente, e dessa com mais força e nojo que das vezes anteriores. Comecei a temer por minha vida, olhava para o teto só esperando que algo ou alguma coisa surgisse do nada e acabasse com tudo de vez. O medo que sentia não era da morte em si, mas de algo além, algo maior, inexplicável e tão ou mais sombrio e taciturno que minha pobre existência. Por mais que estivesse envolvido até a medula num enorme espiral de declínio que a toda hora fazia questão de não dar a mínima possibilidade de reversão, eu não queria desistir de tudo e morrer daquela maneira, feito um cachorro, acossado com medo, temendo viver a vida no seu limite e se entregando de vez. Comecei a chorar. Mesmo tendo que me equilibrar de um lado para outro, chorei. E não era um choro meloso ou de dor, era um choro amargo e tenso que no fundo não era nada além do mais puro reflexo do desespero interior de um refém empalidecido e circunspecto de si mesmo. Finalmente adormeci.
continua...

Escrito por fernandobluesborghi às 18h27
[]
[envie esta mensagem]

|