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O Velho Groucho

Acabei de chegar da rua e de um encontro com uma pessoa
que sinceramene não gostaria muito de tê-lo feito. Mas por
equivoco do acaso,no auge dos três minutos e meio que tive
o desprazer de dialogar com esse ser (se é que posso chamá-lo
assim),me lembrei no ato do Grouxo Marxs,
e mesmo com esse indesejável mala tentando sem muito sucesso
entender o porque do meu riso contido,enquanto ele falava 
não escutava nada, só conseguia me concentrar na frase do velho
célebro dos Irmãos Marxs : "-Eu nunca esqueço-me de uma pessoa,
mas em seu caso eu estarei contente de fazer uma exceção."



Escrito por fernandobluesborghi às 18h53
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Frio, Pipoca, Vinho e Infiltrados

O frio chegou pra valer, e com isso a imagem de pessoas cheias de roupa
volta a tomar conta das cidades. Ao andar pelas ruas não dá outra,
o que se vê são pessoas , a grande maioria delas completamente
encurucadas ,andando com certa dificuldade e fazendo questão de
não esconder que está sim sentindo frio.
Não me considero um anormal (apesar de em certas ocasiões , duvidar
da minha sanidade),mas eu adoro esse clima, assim como gosto de chuva
e finais de semana embaçados, o que creio eu pela cara das
nuvens que tomam conta do céu, não vai ser o caso desse.

Por falar em frio, coberto, pipoca e vinho. Ontem assisti Os Infiltrados
do Scorsese. Puta filme, gostei pra caramba. A atuação do velho Nicholson
é digna de tirar o chapéu, filmaço...filmaço mesmo... Apesar de que ainda
continuo achando que se o filme tivesse mais cinco munitos apenas, não
ia sobrar ninguém, só faltou o câmera e  a rapaziada da produção morrer
porque o resto.
O perdão, você ainda não viu o filme?
rssssssssssssssss



Escrito por fernandobluesborghi às 12h30
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Café demais enjoa...

Poderia postar o Café Até o final,Heitor ainda vai andar um bocado até
chegar ao seu destino, mas creio que até aqui está de bom tamanho.
Deve haver algumas vítimas que acompanharam desde o inicio e a elas
agradeço a paciência e a compreensão, afinal quem sabe um dia Heitor não
salta aqui desse blog para as páginas de um livro.
Quem sabe?

Como todo fim que se preza, tem que haver um estação. Rsssssssssss



Escrito por fernandobluesborghi às 19h53
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Café Van Gogh ( 63 )

Nenhum de nós pregou os olhos naquela longa noite. Nos divertimos muito,
riamos de qualquer coisa, o simples fato de estarmos ali vivos era motivo
mais que suficiente para celebrar. E Lena sabia como ninguém o que é
celebrar com dignidade. Bebemos bem mais de um engradado de cerveja,
com certeza muitos dos que passavam por nós olhavam cheio de dúvidas
a respeito de nossa sanidade mental, tamanha era a altura de nossas
gargalhadas. Mesmo com a cidade naquela situação de completa destruição,
sentíamos tão a vontade que em nenhum momento sequer pensamos na
possibilidade de nos sentirmos superiores a dor da maioria, simplesmente
estávamos felizes e comemorando da melhor maneira possível. 
Aos poucos foram se juntando a nós alguns forasteiros que passavam
pelo local, teve um deles inclusive que ao se sentir a vontade resolveu
declamar um poema de peito aberto em plena praça pública. Cena das mais
deploráveis que já tive o desprazer de presenciar. E em nenhum momento
fiz questão de esconder que achava aquilo ridículo.
-Não que esse mané, vai declamar poesia em plena praça pública!
-Larga de ser chato Heitor, deixa o cara!
E ele seguiu em frente.
-“As pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto, que meu lar
é um botequim, que eu arruinei sua vida, que eu não mereço a comida que
você pagou pra mim.”
E Lena chegou a aplaudi-lo de pé!
-Que coisa linda, essa poesia é sua mesmo?
O poeta, com o ego devidamente amaciado, não se fez de rogado, sentou-se
mais próximo a Lena e aproveitou a deixa que faltava para seu discurso
intelectual.
-Quem dera minha querida, não me sinto capaz de  transmitir em uma pequena
pérola feito essa tamanha dignidade e perspicácia.
O cidadão tinha que florear a resposta. Custava ele dizer apenas o nome
do autor. Não resisti.
-Ela só perguntou o nome do autor, não a sua ficha técnica....
-Na verdade não é uma poesia por si só em estado completo e bruto....
Puta merda, quanta asneira.
-Trata-se de uma letra de uma composição do insuperável Noel Rosa!
Custava ter dito o nome do cara simplesmente, mas não, teve que fazer uma
curva pra chegar aos finalmente. E Lena continuava dando trela pro cara.
-Mas realmente é uma letra muito bonita. E o restante você lembra.
A não, ai foi demais. Resolvi mostrar o sentimento da besta fera que todos
possuímos e que no fundo nos transforma em seres sórdidos, mas nem por
isso desumanos.
-Cê vai me desculpa ai cara! Mas não vai continuar não, o show já terminou
trate de dar o fora antes que eu perca a paciência.
Dei um leve empurrão em suas costas, e para minha sorte ele seguiu seu
caminho sem sequer questionar meu ato idiota. Lena era quem mais se
divertia com aquilo tudo, ela rolava no chão de tanto rir.
-Que foi Lena, isso não tem tanta graça assim!
E ela ria. Feito uma condenada.
-Você é um idiota Heitor, um tremendo idiota!
-Idiota eu? Idiota é esse babaca que decorou um trecho de uma letrinha
de música e fica ai fazendo pose de peito aberto e tudo.
Mesmo não se agüentando de tanto rir, Lena levantou-se e veio em minha
direção.
-Você está com ciúmes, isso sim!
-Ciúmes eu? Cê tá louca!
-Tá sim!
Quando levantei a cabeça ela estava bem a minha frente, já quase que
completamente enroscada em mim.
-Está, ou não está?
Seu nariz tocava o meu, sentia o toque de seus lábios macios em cada
parte de meu rosto, seu calor e seu cheiro penetravam em meu corpo,
fazendo com que aquela minha aparente agressividade explosiva fosse
diminuindo aos poucos e num primeiro momento se acalmando em definitivo,
fruto do temperamento e da capacidade que Lena tinha de transformar
toda e qualquer situação limite num simples e doce momento de delicada
sensibilidade e prazer.
-Estava com ciúmes, ou não, confessa?
-Um pouco, quase nada!
-Como, quase nada?
-Quer dizer...
Preferi permanecer mudo, e simplesmente sentir seus lábios gelados
tocarem os meus.

continua...



Escrito por fernandobluesborghi às 20h25
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Café Van Gogh ( 62 )

A primeira coisa que avistei assim que abri um dos meus olhos,
foi as estrelas, e só assim tive certeza que ainda permanecia vivo.
O outro olho era impossível de abrir, mesmo que tentasse com muita
determinação, não conseguia, estava muito inchado. Mover minha cabeça
então, era tarefa das mais árduas. Estava completamente imóvel, e sem
saber onde estava até dar de cara com o rosto de Lena que substituiu
o céu estrelado.
-E ai, acordou?
Tentei, mas não consegui ter raiva dela.
-Melhorou um pouco, Heitor?
-Estou vivo ainda?
-Você parece ter sete vidas. Coisa ruim não morre fácil!
E ria a desgraçada, com aquele bafo de cerveja junto a meu rosto,
não era difícil adivinhar que ela ainda continuava bebendo.
-Vai um gole ai?
E me mostrou uma latinha de cerveja.
-Acho melhor não. Estou com um gosto estranho na boca! Não sei bem
o que é!
-Pois eu sei. É uma mistura de sangue com barro. Sangue porque meu
amigo quase lhe arrancou todos os dentes da boca, e o barro foi da
queda, você caiu de cara no chão antes de desmaiar.
-Estou muito feio?
A desgraçada ria, se divertia a valer. Era impossível não acompanhar
aquele sorriso gostoso.
-Quer mesmo se ver?
-Pra quem está com um pé na merda, colocar o outro não custa.
Ela pegou um desses espelhos pequenos que as mulheres costumam carregar
em suas bolsas e me deu.
-Puta merda!
-Bonito você nunca foi, Heitor!
-Não acredito que aquele filha da puta fez isso com o meu rosto.
-É, você já foi mais bonitinho!
-Onde é que eu estou?
-Quer mesmo saber!
-Lógico.
Lena ajudou-me a levantar e pude me localizar. Estava exatamente de onde
não devia ter saído, na praça que servia de hospital a céu aberto.
Eu tinha curativos por todos os lados, a camisa do Tom Jobim que um dia
havia sido branca, a essa altura estava mais marrom que a cor da terra.
-Fica tranqüilo Heitor, não aconteceu nada, você está zerado.
-Porque você ria enquanto aquele brutamontes me batia?
-Porque ele estava fazendo aquilo que eu não conseguia, desejava fazer mais
era incapaz! Ou você acha que eu esqueci que você me abandou dormindo dentro
daquele maldito carro.
-Não é nada disso que você está pensando, não te abandonei por causa da
tempestade.
-Não foi, sei!
-Assim que você dormiu, eu sai, muito antes daquele tempo fechar.
-Tá bom. Chega. Ninguém tem que ficar se explicando aqui!
Olhei com um pouco mais de cautela em meus curativos e fiquei com um pé
atrás.
-Espera ai, quem fez esses curativos em mim?
-Foi ele!
Lena apontou para o sorridente mecânico com quem eu havia conversado, que
acenava e me cumprimentava mesmo à distância.

continua...



Escrito por fernandobluesborghi às 19h26
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café Van Gogh ( 61 )

Ao contrário de todo o resto da cidade, aquela rua onde Lena havia
estacionado a veraneio para cochilar, era uma das menos afetadas pela
tormenta. Apesar de ainda permanecer completamente alagada, a rua e
os casarios haviam sido pouco castigados, e ao andar mais um pouco
pude reconhecer a velha veraneio estacionada no mesmo lugar de antes.
As marcas de lama na altura do trinco da porta denunciavam que ela
também tinha sofrido um bocado. A perca era total, seu estofamento
aquela altura estava todo encharcado, e o carregamento de Dvd’s que
estavam em algumas caixas, estavam cobertos de barro e folhagem.
Não sei porque, mas tinha certeza que Lena estava ali por perto,
meu instinto (muitas vezes traidor por natureza), me dizia que ela
não estava longe dali. Andei meia quadra e as luzes de um boteco,
mais uma conversa alta e barulhenta me chamaram a atenção. Cheguei até
a porta e avistei movimento em uma meia dúzia de mesas. E em uma delas
estava Lena, conversando alegre e sorridente com dois homens. Parei por
um instante na porta do local, e pensei melhor, decidindo não entrar.
O que eu faria ali dentro, sem nenhum puto nos bolsos, e me sentindo
constrangido de vê-la tão à vontade com aqueles homens. Das duas uma,
ou ela não tinha me visto, ali estático na porta, ou disfarçava muito bem.
Chacoalhei a cabeça me recompus e fiz o que me parecia mais correto,
dei meia volta e sai em direção a rua, de cabeça baixa e me sentindo um idiota.
-Aonde você pensa que vai, Heitor!
Parei. Senti uma coisa estranha dentro de mim, tive vontade de me virar
e encará-la, mas algo bem maior me impedia, uma espécie de orgulho imbecil,
uma falta de humildade, me mantinha parado de costa para ela.
-Pensei que você tivesse morrido!
Sua voz, mesmo que tentando se manter firme, lhe entregava o já avançado
estado de bebedeira.
-Que foi, tá com vergonha de me encarar de frente, é?
Virei-me e lá estava ela encostada na porta do boteco, de braços cruzados,
olhar baixo e cara de poucos amigos.
-Eu vi o estado que ficou teu carro!
-Comparando a cidade, até que ele suportou bem.
-Me sinto mais aliviado em saber que não te aconteceu nada!
-Pena que não posso te dizer o mesmo Heitor!
Ela desceu as escadas do bar e veio em minha direção.
-Você não tem noção do quanto eu desejei que você estivesse morto, seu desgraçado!
E com os punhos fechados batia descontrolada em meu peito.
-Não devia ter voltado! Por que você voltou, seu desgraçado!
Os dois homens que bebiam junto dela na mesa, que a essa altura estavam á porta
observando a cena, gritaram para Lena.
-Está precisando de uma ajuda ai filé?
-Quem é esse cara, você o conhece? Está tudo bem!
Lena não respondeu, simplesmente continuava a me bater e resmungar palavras
incompreensíveis. Os dois desceram e vieram a nosso encontro. Separaram Lena
de mim, e um deles, o mais forte, me deu um direto de direita na cara.
Senti o sangue escorrer pelo nariz.
-Não sei quem você é seu Zé Roela, mas não vai machucar minha amiga não!
E começou a desferir uma série de pontapés. Seus chutes eram tão ou mais fortes
que seu punho. E ele fazia questão de bater sem olhar onde. Era no rosto, nos braços,
nas pernas, e eu só apanhando, não tinha coragem de sequer reagir.
-Não vai fazer nada não, seu covarde! Se você não reagir, vou te socar até a
morte!
Levantei com muito custo, e antes de levar o que seria o último e mais forte
golpe do grandalhão, ainda tive tempo de ver Lena nos braços do outro cara,
rindo baixinho  com cara de satisfação. Seu sorriso sádico foi à última coisa
que vi, antes de levar um cruzado de direita na cara e cair já apagado no chão
enlameado que me serviu de lona.

continua...



Escrito por fernandobluesborghi às 09h47
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