Arquivos
 04/11/2007 a 10/11/2007
 28/10/2007 a 03/11/2007
 21/10/2007 a 27/10/2007
 14/10/2007 a 20/10/2007
 07/10/2007 a 13/10/2007
 30/09/2007 a 06/10/2007
 23/09/2007 a 29/09/2007
 16/09/2007 a 22/09/2007
 09/09/2007 a 15/09/2007
 02/09/2007 a 08/09/2007
 26/08/2007 a 01/09/2007
 19/08/2007 a 25/08/2007
 12/08/2007 a 18/08/2007
 05/08/2007 a 11/08/2007
 29/07/2007 a 04/08/2007
 22/07/2007 a 28/07/2007
 15/07/2007 a 21/07/2007
 08/07/2007 a 14/07/2007
 01/07/2007 a 07/07/2007
 24/06/2007 a 30/06/2007
 17/06/2007 a 23/06/2007
 10/06/2007 a 16/06/2007
 03/06/2007 a 09/06/2007
 27/05/2007 a 02/06/2007
 20/05/2007 a 26/05/2007
 13/05/2007 a 19/05/2007
 06/05/2007 a 12/05/2007
 29/04/2007 a 05/05/2007
 15/04/2007 a 21/04/2007
 08/04/2007 a 14/04/2007
 01/04/2007 a 07/04/2007
 25/03/2007 a 31/03/2007
 18/03/2007 a 24/03/2007
 11/03/2007 a 17/03/2007
 04/03/2007 a 10/03/2007
 25/02/2007 a 03/03/2007
 18/02/2007 a 24/02/2007
 11/02/2007 a 17/02/2007
 04/02/2007 a 10/02/2007
 28/01/2007 a 03/02/2007
 21/01/2007 a 27/01/2007
 14/01/2007 a 20/01/2007
 07/01/2007 a 13/01/2007
 31/12/2006 a 06/01/2007
 24/12/2006 a 30/12/2006
 17/12/2006 a 23/12/2006
 10/12/2006 a 16/12/2006
 03/12/2006 a 09/12/2006
 26/11/2006 a 02/12/2006
 19/11/2006 a 25/11/2006
 12/11/2006 a 18/11/2006
 05/11/2006 a 11/11/2006
 29/10/2006 a 04/11/2006
 22/10/2006 a 28/10/2006
 15/10/2006 a 21/10/2006
 08/10/2006 a 14/10/2006
 01/10/2006 a 07/10/2006
 24/09/2006 a 30/09/2006
 17/09/2006 a 23/09/2006
 10/09/2006 a 16/09/2006
 03/09/2006 a 09/09/2006
 27/08/2006 a 02/09/2006
 20/08/2006 a 26/08/2006
 13/08/2006 a 19/08/2006
 06/08/2006 a 12/08/2006
 30/07/2006 a 05/08/2006

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 Bortolotto
 Márcio Américo
 Célia Mussili
 Gibizada
 Márcia
 Lielson
 Blues Masters
 Selton
 Pedrão
 Pedrita
 Caraminholas
 Ana Paula
 Wolf Attack
 Benett
 Leo Lama
 Zéu Britto
 R. L Burnside's
 Maga
  Revista Lasanha
 Revista Blues e Jazz
 Blues4Fun




Blues Writer
 


Bennet salvando o dia...

Veja mais pérolas:

http://www.benett-o-matic.blogger.com.br/



Escrito por fernandobluesborghi às 18h13
[] [envie esta mensagem
]





Mulheres e Crianças Primeiro


A espaçonave pousou no quintal de Seu Juvêncio exatamente as
duas e meia da manhã. O efeito pirotécnico de luzes e fumaça
foi tanto que de imediato os cachorros incumbiram-se de acordar
a família. O velho Juvêncio, Dona Etelvina e os dois filhos
acenderam as luzes da casa e com expressões de puro medo em meio
às janelas entreabertas perceberam atordoados as ilustres visitas
intergalácticas no meio do milharal.
A princípio não conseguiram identificar ao certo o que era aquele
negócio enorme em meio à plantação. A princípio era uma mistura
de Colheitadeira com uma Panela de Pressão. Mas depois de analisar
com um pouco mais de calma, chegaram à conclusão que aquele negócio
estacionado defronte a casa dos Lima e Silva era de outro planeta.
E sendo de outro planeta, eles não tinham lá muito boa fama pelos
lados do Sul do Paraná.                                         
 Mesmo sem querer. Com um medo imenso e tremendo mais do que no dia
do casamento, Seu Juvêncio não viu outra escapatória a não ser encarar
aqueles invasores de igual pra igual, de homem pra homem, de ser humano
para alienígena.
Com um pequeno trabuco na mão direita, um terço na mão esquerda e uma
tremedeira infeliz em ambas as pernas, Seu Juvêncio não tinha outra
escolha a não ser ficar estático defronte a porta da espaçonave.
Os filhos mais a mulher gritavam dentro da casa pressionando o
chefe da família.
-Vai lá pai, bate na porta desse negócio!
-O meu velho, mostra pra esse povo quem manda nessas terras!
 E dando uma de dono do pedaço, Seu Juvêncio resolveu intimidar os
invasores na base do grito e com um tiro para o alto.
-Seja lá quem for que estiver dentro desse trem, trate de ir saindo
logo que essa propriedade tem dono!
A porta da espaçonave abriu, e do meio de um cem número de luzes
e raios infravermelhos, dois enormes alienígenas verdes surgiram
para o desespero do velho Juvêncio que a essa altura havia se borrado
todo, em meio ao desespero e a possibilidade da morte o levar para
outro estágio da vida, o velho Juvêncio não enxergou outra
alternativa, a não ser abrir o jogo com os intrusos intergalácticos.
-Oh Meu Deus! Alienígenas Espaciais! Por Favor, não me comam!
Eu tenho mulher e filhos! Comam eles primeiro!




Escrito por fernandobluesborghi às 19h35
[] [envie esta mensagem
]





PAULO AUTRAN E UM POSSÍVEL LEGADO

De Paulo Autran se falará aqui. Não como notícia nem como réquiem.
Mas, sim, como memória. E por um outro motivo, o qual deixarei para o final.

No feriado de 12 de outubro, como deve ser sabido, ocorreu a morte do
ator – já devidamente noticiada, comentada e repercutida nacionalmente.
Ao receber a notícia, súbito me ocorreu uma lembrança. Nítida e cristalina,
como acontece quando lembramos de algo que aconteceu há tempos, mas parece
ter sido outro dia mesmo. Lembrei, com detalhes, do primeiro diálogo que travei
com Paulo Autran.

Não foi esta a única vez que nos falamos. Por obra de ofício, cuidei da
produção executiva de alguns de seus espetáculos, em algumas cidades do interior
de São Paulo. Mas é da primeira vez que trocamos palavras que pretendo extrair a
seiva que escorrerá por este artigo.

Após algumas tentativas frustradas de trazê-lo para se apresentar no Teatro Verdi,
eis que finalmente consigo agendar uma data para a apresentação de seu monólogo
“Quadrante”, espécie de espetáculo-curinga que o ator manteve por quase 20 anos.
Como ele estava em cartaz em São Paulo de quarta a domingo, com uma outra produção,
a data acertada ficou sendo uma terça-feira, dia inusitado e ingrato para se apostar
em um sucesso de público. Outra oportunidade talvez não houvesse. Resolvi aceitar
a aposta.

Acertados os detalhes, contrato assinado, ingressos colocados à venda, estabeleceu-se
que Paulo Autran chegaria a Salto em seu próprio carro, acompanhado de seu técnico de
som e luz, seu secretário e sua administradora. O horário de nos encontrarmos no Teatro
Verdi ficou marcado para as 15 hs. Com alguns (poucos) minutos de atraso, Paulo Autran
chegou. Cumprimentos e formalidades vencidos, ele me comunicou o desejo de comer doce.
Saímos a pé, por opção do próprio ator, em direção a uma doceria. Chegando lá, Paulo Autran
me disse que não era exatamente este tipo de doces que sua “lombriga” pedia. Queria,
segundo suas palavras, “comer doces da infância”. Compreendi.

Levei-o para um boteco em frente à praça. Sua alegria e seu deleite comendo maria-mole,
doce de abóbora em formato de coração e tomando guaraná caçulinha formaram uma imagem
que me é inesquecível. Olhando para a praça, para a Concha Acústica, de repente
Paulo Autran pára, pensa e se dá conta de que, quando menino, “talvez 10 ou 12 anos”,
esteve ali, acompanhando o pai em um passeio. Recorda-se da sensação de medo que teve
ao atravessar uma ponte que lhe pareceu frágil, e que balançava por sobre um rio
Tietê caudaloso.

Ao ser informado de que esta ponte de fato existia e atendia pelo nome de Ponte Pênsil,
manifesta a vontade de que eu o leve até ela. Digo-lhe que se encontra fechada, imprópria
para o uso. Insiste. Quer ao menos vê-la. Levo-o. Parado, olhando para o portão lacrado
da ponte, Paulo Autran me diz que “essa é a segunda tristeza que a tua cidade me dá...”.
Segunda?, questiono. “Pois é, o turismo de Salto acaba de cometer uma violência contra
a minha velhice, contra a minha memória...”. Entendo.

Mas ele havia dito ser esta a segunda tristeza. Qual teria sido a primeira? “Sempre
quando me apresento pela primeira vez em uma cidade, mesmo que esteja acompanhado por
alguém que saiba me levar até ao Teatro, costumo fazer uma espécie de teste para medir
o grau de envolvimento das pessoas do local com a Cultura. Paro o carro e pergunto onde
é que fica o Teatro para a primeira pessoa que encontro. Aqui, somente na terceira
tentativa é que uma mulher soube me indicar o caminho. Isso é muito preocupante...”.

Contra-argumentei que os ingressos estavam quase todos vendidos, mesmo sendo uma terça-feira.
Ele me respondeu que isso não deixava de ser um bom sinal, mas que as duas primeiras pessoas
perguntadas, embora não soubessem informar a localização do Teatro, o haviam reconhecido.
O que isso significa?, perguntei. “Que, melhor do que reconhecer o ator famoso, que eles
só conhecem pela imagem que lhes invade as casas, seria saber o caminho do Teatro de sua
cidade...”.

O tempo passou, trabalhei com ele outras vezes e o Teatro Verdi definhou até cerrar suas
portas (provando que Paulo Autran tinha razão em sua preocupação). A notícia de sua morte
me fez recordar desta passagem de minha carreira. Resolvi dividi-la, como uma espécie
de diálogo com os gestores públicos da Cultura saltense.

Às vésperas de Salto ganhar um novo Teatro Municipal: a Sala Anselmo Duarte, prevista
para ser inaugurada em meados de 2008, talvez fosse importante refletir sobre o que me
disse Paulo Autran em algum lugar compreendido entre o portão lacrado da Ponte Pênsil
e o Teatro Verdi, na tarde de uma terça-feira há quase 18 anos atrás.

Ripei esse belo texto do blog do meu amigo Pardim

http//mslppardim.blog.uol.com.br



Escrito por fernandobluesborghi às 20h49
[] [envie esta mensagem
]



 
  [ Ver arquivos anteriores ]